O Operário

Publicado: dezembro 25, 2011 em Contos, Sociedade
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Quando acordava o sol ainda estava por dormir, tranquilo e passivo no horizonte. A aurora pode parecer rejuvenescedora para o camponês, ver as gotículas trasbordando sobre a grama, sentir o ar profundo e cheio de vida, e escutar os cavalos a relincharem como que acordando de um belo sonho; a vida no campo nesta hora da madrugada é uma brecha no tempo, uma intersecção onde só há paz e meditação.

No entanto, eu acordava na cidade grande, rodeado pelo concreto, escondido entre as casas umas em cima das outras. Acordava já aprisionado no ar que cheirava a chumbo petrificado nas grades e nas celas das casas protegidas. Nas cidades ao fim da madrugada só há prostitutas e traficantes, ratos entre as calhas procurando algo de podre, luzes amarelas dos postes se entregando à brisa sangrenta das ruas cobertas pelo lixo. A luz da aurora é esquecida pelo cheiro avarento das riquezas imersas no concreto, escondidas sob o solo.

Acordava, me limpava, me trocava, comia e depois escovava os dentes, tudo isto em um espaço minúsculo, em um único cômodo, esbarrando entre a cama e a pia do banheiro. Insólito, este lugar trasbordava pena e mediocridade, um cubículo de merda!

Eu era um operário, destes que trabalhavam horas a finco em frente há uma máquina que canta e sopra embebedada em óleo lubrificante, grunhi feito um porco seu canto estático, seu ritmo estático, seu manuseio estático. Não há nada neste mundo mais estranho e mais alienado que um operário e sua máquina; duas matérias que se misturam e nessa fluidez fazem mover as roldanas do império, dois movimentos em um fluxo constante de produção, o primeiro um movimento humano, movido pela alma, enquanto que o segundo, é a máquina regida por pregos e metais.

Eu ficava horas com minha máquina, sempre acompanhando seu ritmo, como uma companheira inquebrável, que jamais se entrega. Esta estrutura metálica, que possuía vida própria, bastava um botão para que se alinhasse em constantes movimentos perfeitos e simétricos, infalível na sua perfeição. Esta máquina era parte da minha vida, era minha quinta-essência, nos juntávamos e víamos as horas se jogarem no abismo infinito do tempo.

Um operário meu amigo, é também uma máquina, mas qual é confusão entre estes dois seres, será que sou eu que estou me metamorfoseando em máquina, ou é ela, que por passar tanto tempo em mãos humanas, foi como uma criança, ganhando vida, lembranças e relatos, alma e afeto por mim?

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Todas as sociedades necessitam de organizações e de sistemas, leis e regulamentos, ritos e diplomacias. Hoje em dia a lei pertence ao mais forte, o rito pertence a religião hipócrita, e a diplomacia pertence ao burguês. O patrão já não é mais patrão, ele é agora o homem político, a serviço de outros patrões políticos, uma classe já muito bem consolidada, que vai do plano da política até o plano econômico em um piscar de olhos, como se fossem reflexos em um mesmo espelho.

Uma fábrica é uma pequena vila, uma aldeia industrial. O nosso rito diário é a produção, e nossos deuses – o ser temido – é o patrão. A lei social é obedecer e nunca julgar seu superior, e assim se concentrar em operar sua máquina. O ritual da produção é uma obrigação em transformar a matéria prima em algo inútil, em coisas jamais vista pela natureza. O patrão com seu olhar ganancioso, com seu julgamento prévio de tudo que desconhece, é o detentor do meu corpo, como se fosse um contrato com o diabo; é minha alma escrita que ele possuí, inscrita naqueles inumeráveis objetos inúteis à qual produzo. A cada dia, dentro desta fábrica, sinto sumir algo de mim, como se meu espírito ficasse em cada objeto, como se ele fosse exteriorizado à mim e se transformado em matéria barata, e que depois virará lixo jogado ao mar.

Grandes senhores estes à qual trabalho, um operário nada mais é que um objeto. Não é um criador e nem um artesão, não tem o valor de uma máquina (pois ela vale mais)…o operário é um simples objeto; um homem que se confunde com uma matéria, sem espírito, sem opinião, um cidadão sobre a ditadura das máquinas. Estas são operadas verdadeiramente pelos grandes senhores que as possuem – a máquina é a sua prostituta intocada e eu o seu subalterno.

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Tempos idos e já se passaram vinte anos que eu pertenço a esse vilarejo fabril. Agora já não sou mais confundido com minha máquina, sou apenas seu eterno carrasco, e já nem ligo mais para isso. Depois de tantos anos conheço até seus mais sensíveis pregos, a menor mancha de velhice e ferrugem de suas peças, a quantidade exata de óleo para matar sua sede, conheço seus barulhos e seus problemas, estes idênticos, mesmo depois de vinte anos.

A rotina é o meu viver, o que seria de mim sem minha máquina?

Não poderia mais comer no mesmo prato e nem mesmo abrir a mesma fechadura, chegar no mesmo horário e seguir os mesmos movimentos. Incrível como tudo ao meu redor se alinhou à minha máquina, as pessoas dizem as mesmas coisas, o programa na TV diz sempre o mesmo, os preços estão sempre de acordo com as importações e nas rádios tocam sempre as mesmas músicas.

A beleza da rotina é sensível e, portanto, necessita de seres sensíveis para apreciá-la. Eu, um operário, sou o cúmplice da rotina, sou o coração do sistema, o desgraçado que vê a vida como um quadro sem expressão, inalterado.

Em uma fábrica não há espaço para mudanças. Mudanças sensíveis já causam perdas e prejuízos, e isso deixa o patrão furioso, no fim nos é descontado o pão. De que vale a mudança?

O subsídio é aquele meu salário que se alinha perfeitamente com a minha miséria. Se fosse mais rico não saberia lhe dizer onde gastar o meu dinheiro. Dizem que o país vai de vento em polpa, que estamos ficando mais ricos, e que a farinha agora que se usa no pão é mais nutritiva e de boa qualidade. Sou o operador desta falácia!

A experiência com Ayahuasca

Publicado: fevereiro 13, 2011 em Antropologia
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Quando cheguei à fazenda em uma manhã de domingo, o clima era calmo, rústico e limpo. A mata se estendia em plano, com troncos grandes e tortos fincados à sua relva, com esterco e flores bebendo de seu solo. O coreto central apoiava-se em grandes colunas feitas de troncos de grandes árvores, que mantinham suas seivas, mesmo longe do solo, pelas forças sepulcrais ali estacionadas. O verniz pincelado nos pilares quase se tornou a própria matéria prima da natureza, de tão nítido e reluzente que estava; o piso de argila era frio, porém confortável, como que querendo moldar-se aos pés que cintilavam descalços.

Nossos sacos-de-dormir foram colocados ao chão e as frutas que levávamos na mochila foram postas na mesa. Eu olhava as pessoas, – que eram umas trintas – dividas entre homens e mulheres, cada qual ao seu lado do coreto (o ritual deve ser dividido em duas metades de sexos opostos) respeitando os olhares mútuos. Na época eu era uma espécie de Hippie-intelectual, ou pelo menos me vestia e me comportava como se fosse um, assim, minha barba comprida e meus cabelos oleosos tornavam minha identidade um pouco mais rústica e desapegada. Meu interesse, logo após nos colocarmos em nossos lugares para começar o ritual, deu lugar ao medo, e na fila para beber o “liquido sagrado” quase desisti. Mas a vontade foi mais persistente, e fez com que eu engolisse o liquido escuro como se fosse um trago de Whisky dose anos, porém o  gosto era  forte e me lembrava à terra.

Sentei ao solo e comecei a me concentrar na “viagem psicodélica” à qual estava embarcando. Os 15 primeiros minutos foram de ansiedade, uma sensação de que algo se manifestava no meu estômago, foi quando “bateu”. A princípio pensei que ia perder completamente o controle de mim mesmo, a tontura fez me levantar e me apoiar em algum tronco por perto, a visão estava borrada e os sentidos perturbados. Este mal  estar durou pouco, mas foi o suficiente para que um jato de vômito se esculpisse da minha boca, como a água que saí de um hidrante de rua logo após aberta suas comportas, assim, vomitei silenciosamente na mata, sozinho. Tal foi a força e intensidade do mal estar, que precisei, ali mesmo na mata, sentar-me e fechar os olhos.

Talvez tudo na natureza sejam apenas estímulos, lapsos e energia em constante movimento, assim, do mal estar, em um lapso de segundo, surgiu a razão como que me dizendo para aceitar meu estado e seguir em frente. A visão se tornou clara e as cores ganharam vida, respirei profundamente e pude sentir cada músculo e cada célula minha tragando o ar, como se cada respiração tivesse a nítida consciência de ser a essência  vital do universo. Os pensamentos e a ordenação do meu estado foram nítidos, e constatei então que ali, na mata e naquele instante eu iria desfechar uma batalha intensa com minhas múltiplas personalidades. A começar pela própria contradição do termo.

Senti meu cérebro sendo esculpido com uma talhadeira invisível, formando um bloco perfeitamente simétrico, como diamante, forte e brilhante. A iluminação foi só um termo que os homens criaram para descrever sua história, ao contrário, a razão é pura e, portanto, intuitiva do espírito. Esta intuição é uma analogia concreta, que se move entre o real e a irrealidade, um fluxo de contradições necessárias para o entendimento do ser. Nada pode passar despercebido entre as míseras das coisas, pois tudo está em perfeita simetria com as condições própria da vida. O destino é a fluidez dos acasos.

Admitir que a contradição do mundo seja sua própria condição me fez esclarecer certos pontos do meu cotidiano.Voltei ao salão principal do coreto, sentei nitidamente tranquilo apoiando as costas em um pilar de madeira e, novamente fechei os olhos. As imagens foram aparecendo a princípio sem lógica, me focava em algumas delas e lembrava casos distantes da minha memória, agora tão vivas como um retroprojetor de rolos antigos da nossa infância. Desenhei-me e concluí minha caricatura.

Desta primeira passagem, devem ter-se passado duas ou três horas, minha capacidade de raciocínio estava afiada, indo das coisas mais naturais até suas condições religiosas e espirituais. Quando todos levantaram e tomaram outro copo de Ayahuasca. Foi primeiramente neste instante, quando notei o quão estranho era o ritual; havia padres ditando orações; havia música xamânica, música católica, e outras, uma verdadeira salada musical ditando o ritmo; pessoas deitadas em colchões, outras estirada em cadeiras de praia, outras dançando ou simplesmente acompanhando o ritmo com os pés, sempre com um mútuo respeito e silêncio entre todos. Após ingerir novamente o liquido, o gosto me pareceu mais amargo. Fomos para o centro do salão, e ali se comportava uma fogueira, reluzente em todo o ritual, sendo controlada e amada pelo seu condutor; um fogo domesticado e que, porém, nos domesticava.

O ritual se tornou mais solene, e as pessoas ficaram mais agitadas – o que talvez fosse o caso para que os condutores nos levassem a uma caminhada na mata. Seguindo a trilha tive que vomitar novamente, mais intensamente. O engraçado é que após o vômito não há mal-estar e nem perda de fluidez da Ayahuasca, dizem que tal reação é a própria densidade espiritual da bebida e, que isto faz com que seu espírito seja completamente limpo. Mitos e verdades à parte. Ao chegar a um pico, muito simbólico por sinal, com apenas uma grande árvore em seu topo, magistral e reluzente, entreguei-me à sua beleza e a sua potencia, e deitei ao seu encalço desenhando as próximas visões. Minha sensibilidade estava à flor da pele, e senti por um segundo ou menos, aquilo que os filósofos gregos, e que os religiosos católicos romanos, e que os espíritas e xamanistas dizem ser a alma; o espírito que todos possuem. Este espírito saiu do meu corpo e vagou naturalmente sobre os galhos da magistral árvore, a sensação não poderia ser outra; estava experimentando a morte. Mesmo que por segundos, não houve a racionalidade e nem pensamentos, somente a  entrega e  a sensação de morrer. E este foi o clímax da “viagem”, o ápice, como se estivesse entre a vida e a morte, pendurado a uma fina linha de seda. Incrivelmente dancei sobre a linha, me pendurando e virando piruetas.

Passei longo tempo em paz, observado as coisas mais simples e refletindo nas coisas mais banais. Oh, minúsculo este lugar da paz, que se esconde em cada canto de todas as coisas! Sortudos são aqueles que conseguem encontrá-la, religiosos, macumbeiros, espíritas, todos ao final estarão sempre à sua procura, encontrando-a e desencontrando-a. Todos esbarram nela, africanos, chineses, ingleses, brasileiros, não há um ser humano que não esbarre na paz. Alguns a repelem e empurram-na com toda força, outros a abraçam, e no final todos seguem suas vidas à espera do próximo encontro harmonioso com a verdadeira pedra filosofal dos delfos; a paz.

O ritual com Ayahuasca é considerado um ritual religioso e, portanto, é parte integrante de uma cultura, cultura esta vasta e complexa. No entanto a religião não chega a ser algo realmente concreto no ritual, visto que todos ali presentes seguem diferentes dogmas religiosos, tendo em comum a fé na ayahuasca. Desta perspectiva fica nítido que é a própria bebida é o ser mágico e concreto do rito. Considerando todos os princípios objetivos do ritual, como sendo a bebida o ser mágico e as pessoas bebem este ser, concluí-se que se incorpora o sagrado na hora da ingestão desta, assim, o homem tem dentro de si a manifestação religiosa e a partir somente deste momento intuitivo o ritual ou a “viajem” passa a ter um caráter real e objetivo livre de qualquer dogma religioso, apenas respeitando as regras ritualísticas. Uma verdadeira experiência subjetiva, que se regula com as normas objetivas da vida, não é à toa que a Ayahuasca e seu ritual são feito desde tempos imemoriais, sempre se multiplicando em diferentes correntes e níveis religiosos.

Em meados de 2005 foi decretada a falência do Banco Santos que tinha como principal acionista e dono o empresário Edemar Cid Ferreira,o banco foi interventivo pelo BC por suspeita de irregularidades nas concessões de empréstimos,tendo como principal especulação a falta de crédito do próprio banco para com o seus acionista,em tese o banco trabalhava no vermelho e mesmo assim concedia empréstimos e dividendos a terceiros.Outrora seria normal os “crash” bancários,que ocorrem desde  do final do século XIX,pelo mercado financeiro,pelas crises mundiais de produção, e também por incompetência bancárias. Porém aqui em terras tupiniquins ocorre que tais “crash” são claramente patrocinados por verdadeiras manobras ilícitas por parte de seus chefes e conciliadores,o pior é que tais malabarismos geralmente tem como pano de fundo o próprio estado de Direito e a justiça.Aqui os bancos e todo o sistema financeiro de falcatruas anda de mãos dadas com excelentíssimos chefes de gabinete da pasta judiciária.

Edemar Cid Ferreira,astuto colecionador de obras de artes e dono de empresas milionárias é acusado de fraudar empréstimos,de desviar debêntures (espécie de empréstimos acionais) para serem aplicados em empresas ligadas ao seu nome,que geralmente correspondiam a empresas “laranjas” ,ou seja,empresas feitas para limpar dinheiro e fraudar impostos de renda.Há outros processos em seu encalço,também há acionistas e depositários que até hoje não viram um centavo do dinheiro perdido no banco,esses porém são meros ou pequenos empresários,que não possuem poder e nem recursos para fazer manobras a seu favor,caso contrário por exemplo da família Sarney.Roseana Sarney emitiu um empréstimo falso datado no dia 29 de julho de 2004,em nota ao Banco Santos de 4,5 milhões de reais,e resgatar assim 1,5 milhões de reais ao banco UBS na Suíça para financiar a construção de um Shopping no Rio de Janeiro,tal empréstimo jamais foi feito,porém com auxilio de Edemar,Roseana conseguiu sob liberação imediata o dinheiro do banco da Suíça ,dinheiro que não se sabe da onde veio,a não ser que Sarney admita ter contas na Suíça sem fiscalização alguma.Quatro meses após essa operação,o Banco Santos faliu e José Sarney dias antes retirou todo seu dinheiro do banco ,revelando o grande laço de intimidade com o banqueiro que em um gesto de camaradagem foi convidado a ser padrinho de casamento de Roseana,a filha de Sarney.

Foi ordenada à Edemar um pedido de prisão,o que equivaleria  a 20 anos dentro de uma acomodável cela,porém em limiar concedida por Gilmar Mendes,até então ministro do Supremo Tribunal Federal,Edemar se abstêm da prisão por um Habeas Corpus.Gilmar Mendes em 2008 conseguiu o mandato de presidente do Supremo Tribunal Federal,órgão máximo da delegação judiciária do nosso país.Por um acaso,o mesmo Gilmar Mendes concedeu à Daniel Dantas,outro banqueiro relacionado a escândalos,outro Habeas Corpus,duramente criticado não só pela oposição,como por grande parte dos parlamentares do supremo,no entanto a limiar foi aceita e Dantas solto.

Daniel Dantas,oriundo da Bahia,com origens de conde e barão,é um  banqueiro e empresário digno de título da trilogia de Coppola,o Poderoso Chefão.Aliás mafioso seria um titulo de baixo escalão para o então banqueiro brasileiro.A “cosa nostra” funcionou durante os anos de 1999 até o fim do ano 2008,quando certos esquemas do banqueiro acabaram por estourar a bolha de intrigas,e então pediu-se a limiar escrito até pouco por Gilmar Mendes.Estudado seu mestrado nos EUA,Daniel volta ao Brasil e faz influências e conciliações como uns dos sócios do Bradesco,após grande acumulo de dinheiro deixou este para fundar o seu próprio, o Banco Opportunity.

Ganhou grandes fortunas com transações  em mérito não por grandes diagnóstico,mas sim por belas conciliações com representantes políticos,adquirindo influências governamentais e levando grandes fortunas em cima de privatizações estatais de grandes empresas,um exemplo a Brasil Telecom.Entre acordo e desacordos com empresários,partidos e mafiosos italianos e árabes,Dantas conseguiu adquirir o controle da Brasil Telecom e outras empresas estatais,agora privatizadas.Um grande empreendimento que o colocou entre uma das pessoas mais  perigosas dentre os principais mafiosos do país,um deles ACM,Antonio Carlos Magalhães,que como bom político ,a poucos manteve bons relacionamentos com Dantas.Contudo os esquemas bancários de Dantas eram muito mais complexos e detalhados,envolvia falcatruas de diversas origens, cimentadas por grandes partidos políticos, suas parcerias em esquemas vão do mais alto escalão ,beirando o topo de nossa corte jurídica,até entidades estrangeiras,como políticos e empresários italianos e sicilianos.Em 2006 estourou no Brasil,liderado pelo PT, o escândalo que ficou conhecido como o Mensalão,onde grande parte do poder publico recebia propina em troca de favores estatais,como super-faturação,licitações,e sabe mais o quê, à empresas do setor privado que em troca lhes davam quantias mensais de dinheiro.Uns dos patrocinadores de todo esse dinheiro era o banco Opportunity,que através da empresa Telecom repassava o dinheiro à Marcos Valério que distribuía-o aos políticos ligado ao esquema apelidado como Valerioduto.

Dizem que os acasos acontecem,que o destino é traçado por linhas tortas que por sua vez encontram outras linhas.Porém no triste caso do Brasil os acasos dos banqueiros sempre se trombam com os casos dos nossos políticos.E de contratos feitos com o diabo vão seguindo felizes,alguns estão falidos entre obras de arte de milhões de reais,e outro foram presos e soltos no mesmo dia,e enquanto isso, o acaso com o sistema público e com a sociedade continua,enquanto que os casos de banqueiros e político-empresário,infelizmente,também.

 

Gaspar Noe,Franco-Francês,nasceu em Buenos Aires em 1963.Polêmico,audacioso,inovador,ou simplesmente louco,verdade é que seus filmes sempre imergem do subterrâneo,do “underground”, ao sucesso de vendas,como por exemplo “Irreversível” um filme aclamado e ao mesmo tempo odiado pelas críticas e pelo público.Em sua nova produção,ou não tão nova assim,pois a idéia deste filme já vinha perturbando Gaspar a um bom tempo,antes mesmo de Irreversível(2002) que foi como um ensaio ,diz o cineasta, para Enter The Void.Sendo assim o filme estréia ainda este ano (em maio de 2011) aqui pelo Brasil,porém eu como um bom cinéfilo já baixei,sincronizei as legendas,e gravei-o em DVD,curtindo mais de 2h e meia de filme(uma viagem um tanto psicodélica),em meu sofá comendo pipoca e tomando guaraná.

A estética de um filme é a sua primeira impressão,as vezes um filme pode ter um péssimo roteiro mas se possuí uma boa estética visual será bem recebido pelo público em geral,e logo se tem um filme com um ótimo lucro mas que não consegue dizer nada.O que diferencia um bom filme de um filme “bem feito”  é a junção entre a estética e o roteiro,à qual é o ingrediente certo para os bons filmes.Enter the Void junta tais conceitos perfeitamente,a estética é, digamos, um tanto “psicodélica”,com muito jogo de luz e viagens computadorizadas com efeitos “retro”e que está em consonância com o jeito inovador de filmagem,para quem não sabe o filme é em “primeira pessoa”,a câmera (um artefato técnico do cinema) vira personagem do filme,introduzindo o espectador  dentro do mesmo,tudo juntado e em simetria com a estética de luzes e o jeito de manusear livremente as tomadas.

Em seguida o roteiro não só depende dessa estética em primeira pessoa e excêntrica,como é parte fundamental desta,uma simetria muito bem trabalhada por Noé e que o põe como um dos grandes cineasta do nosso tempo.Oscar vive em Tóquio(há cidade no mundo mais iluminada do que Tóquio?),perdeu os pais em um acidente de carro e só lhe sobrou sua irmã,esta vive como stripper e ele começa a vender drogas.Ponto para dizer,uma das primeiras cenas do filme é Oscar inalando DMT,tudo é claro em primeira pessoa,a viagem desta cena,e de outras várias,utilizando como pano de fundo drogas alucinógenas e efeitos de luzes com uma câmera totalmente alucinada e livre é uma cena única e rara no cinema.Ponto para recomeçar,Oscar vai fazer uma entrega em um lugar chamado The Void e é assassinado alí,passando para uma nova perspectiva,uma perspectiva fora de seu corpo,é uma viagem astral em que a partir daí,do ser vagando entre as paredes de Tóquio,que começa toda a essência do roteiro.Em Irreversível Gaspar Noé,escreveu um roteiro em que na verdade era escrito como o filme,de trás para frente,em Enter The Void o roteiro é em outra perspectiva,a de um espírito que “viaja” e acompanha todos os outros personagens,mas que também vive suas lembranças e seus traumas. Inspiração pura do livro Tibetano dos Mortos.Ou de uma viajem do diretor com Ayahuasca nos planaltos do México.

Porém nem tudo é só mar do rosas,Enter The Void é considerado um filme “Junkie”e de fato é,cenas de sexo e drogas é o que não faltam no filme,assim como um certo mal estar com a câmera,por exemplo são horas só de tomadas como a visão que passa por cima dos prédios vendo o seu interior,horas de cenas nebulosas e tapes com luzes piscastes,mas em fim,é um ótimo Junkie,imperdível para quem já admirava Gaspar Noe,e essencial para quem curti um bom filme excêntrico.Eu espero outra oportunidade para revelo,talvez agora com um pouco menos de lucidez.

Parece contraditório o título a qual começo este ensaio,porém,chegamos em um ponto da nossa sociedade em que tal contradição se massifica a ponto de alterar nossa capacidade de emancipação perante o mundo que nos oprime.

A informação é o meio a qual nos comunicamos com o mundo ao nosso redor,temos diferentes relatos do mesmo fenômeno,sem ao mesmo tê-lo visto ocorrer,todos os dias vêm ao nosso conhecimento milhares de informações sobre o que aconteceu no bairro,na cidade ,no nosso país  e em outros “além mar”.A informação como fonte de conhecimento deve ser bem vinda a todos os cidadãos,uma pessoa bem informada é aquela à qual devemos nos dirigir para uma possível conversa sobre política,economia e outros tantos assuntos que somente aqueles a qual possuí o conhecimento sobre os fenômenos que o circula  tem capacidade de nos trazer a veracidade aos fatos,e com isto podemos elabora nossa própria opinião sobre como “anda o mundo” e possivelmente ,delinearmos “para a onde ele deva ir”.Sendo assim passamos diversas horas lendo jornais,assistimos TV várias horas por dia, e nos conectamos todos os dias ,diversas horas, sob fios e cabos à frente de um monitor,obtendo e guardando informações diversas,sobre dezenas de assuntos.A informação paira como uma nuvem  sobre nossas cabeças, move as massas por uma grande célula,sempre se reproduzindo e englobando novas tendências que recebemos minuto após minutos.

Somos,como descrevo,capazes de assimilar e guardar múltiplas informações,parte do nosso intelecto está sempre alerta a novas conexões que ele possa fazer.Somo seres de pura informação,desde o nosso gesto de andar até a primitiva forma de civilização,necessitamos e aderíamos à informação.O sistema em que vivemos está aqui ,”funcionando como roldanas”,engrenagens sobre engrenagens,construindo a “estrutura”,graças ao nosso dom de se comunicar,ou seja,de nos informar e passar adiante nossa informação.

Uma compreensão de mundo,uma “visão geral” sobre seus fenômenos,é maneira de instrumento que temos,como capacidade fenomenológica de “prever” as “pegadas” dos acontecimentos.O homem assim adquire o dom do “porvir” do “vir a fazer”e tornam-se senhor de sua história.Se andássemos assim,como Hegel imaginava,para uma totalidade emancipadora do mundo,estaríamos por certo em uma outra  “carcaça de condições humanas”.Por certo estamos, hoje a par ,de que nossos passos para emancipação estão sendo vigiados.

Passando por Marx e a primeira idéia capitalista de alienação,até Foucault sobre as abstrações “socio-filosóficas” de Vigiar e Punir,chegaremos ao nosso presente,convictos de que  a informação como possível instrumento de emancipação (conhecimento totalizante) cauí em desgraça no sistema” tecno-capitalista”,a alienação fruto eterno do capitalismo e gerador da “mais-valia”,agora circunscreve delicadamente,quase que invisivelmente,as “redes de pesca”,para nos manter acorrentados e presos no próprio coração do sistema.

A informação, sob este prisma nos és dada com a mesma fluidez e rapidez que um “ produto enlatado”,que após o consumo é descartada e acumulada em aterros de lixo.Consumimos por assim dizer,centenas de informações por dia,algumas,a maioria das vezes inúteis ao nosso dia.A alienação está aqui,igualmente à um cão que morde em círculos o próprio rabo,sem saber de onde ele vem.Ela reproduz incansavelmente as mesmas informações de diferentes maneiras durantes tempo indeterminado,igual àquele comercial que antes,durante e após o jogo de futebol passa diversas vezes,aliás igualmente é a própria imagem do futebol ao qual assistimos,uma informação dada e prévia com a mesma saturação de estratégias e comentários,onde só nos salvamos por uma jogada individual à qual foge a rotina hoje tão instrumentalizada do futebol.

A informação jogada para nós como alienação,nos deixa embriagado,incapazes de ver o mundo como ele realmente é,ou como outra forma a qual gostaríamos que ele fosse.Ela é assim massificada e ao invés de trazer e produzir novas possibilidades,se engloba numa mesma célula,para se reproduzir e englobar outras.Nossa visão de mundo,não é experimentada,simplesmente nos é dada. As leituras que fazemos sobre algum objeto,ou sobre algum comercial na TV,é antes impostas à nossa inteligibilidade.

Não é de se espantar,que perante tantas leituras disponíveis,não conseguimos nem se quer destingir uma das outras.Não paramos para pensar,a uma certa altura,quem nos dita as informações,apenas queremos elas.Com a massificação de informações que mudam continuamente,perder um capítulo da novela,ou um acidente que passou a poucas horas no Telejornal,já nos deixa perdidos e desinformados.Como uma corrida para chegar sabe-se lá onde,aderimos a milhares de assinaturas  nas “rede sociais”,nos conectamos com dezenas de desconhecidos a par somente de somar informações .

A sociedade hoje,passa por um movimento rápido ,onde as informações dadas abrange o mundo inteiro,a alienação consecutivamente é expandida de forma direta,mascarada sobre o júbilo de que somente o conhecimento é a liberdade.Uma liberdade cada vez mais rara,como aquele “caipira” do sertão,preso as enfermidades da terra e ao calor do sol,que adquire o conhecimento da vida sobre as condições próprias,ao invés de se jogar ao conhecimento dado é prévio das “informações”,como nós, que somos atropelados por elas ,e buscamos assim,o conhecimento da vida nas mais banais das mesmas.

Drogas e Cultura : Novas Perspectivas

Publicado: março 1, 2010 em Literatura


Apresentação do livro Drogas e Cultura: Novas Perspectivas
A cultura, o Estado e os diversos usos das “drogas”

Por Gilberto Gil e Juca Ferreira.

Há alguns anos acompanhamos um saudável amadurecimento acadêmico das pesquisas e dos estudos sobre os usos de “drogas” no Brasil. São antropólogos, sociólogos, historiadores, médicos, juristas, economistas e tantos outros pesquisadores revelando facetas inusitadas sobre este fenômeno do nosso cotidiano e freqüente nas nossas manchetes midiáticas. O livro Drogas e cultura: novas perspectivas representa uma síntese desse amplo movimento intelectual que oferece uma abordagem biopsicossocial dos estudos sobre “drogas”, um movimento engajado em refletir o polêmico tema frente aos seus paradoxos; um movimento que visa a fecundar um debate público mais condizente com o pluralismo, a diversidade e a democracia que caracterizam nosso país. Necessitamos, portanto, salientar algumas implicações políticas das conclusões disseminadas por este livro.
É preciso, primeiramente, tecer uma observação sobre o modo como o Estado brasileiro abordou e vem abordando esse fenômeno. O Estado intervém e determina uma política sobre as “drogas”, utilizando-se de duas atribuições fundamentais e inalienáveis: a regularização, sancionada por mecanismos legislativos, e a fiscalização, que obedece a normas penais previamente determinadas. Observamos que fomos juridicamente orientados pelos princípios do International Narcotics Control Board, fruto da Convenção da ONU de 1971. Esses princípios, devido ao contexto histórico de quando foram formulados, desconsideram algumas especificidades culturais das nações latino-americanas. Não reconhecem, por exemplo, as tradições culturais das populações indígenas e afro-descendentes, sobretudo os usos ritualísticos e culturais de algumas substâncias psicoativas (como a ayahuasca e a folha de coca). Ao desconhecer tais singularidades e ignorar os diversos contextos culturais, acaba-se por tratar de modo estanque e indiferenciado as distintas apreensões culturais e torna-se incapaz de distinguir as implicações dos diversos usos. O Ministério da Cultura, portanto, pode e deve dar visibilidade à dimensão cultural e afirmar o direito das populações brasileiras de usufruirem dos rituais xamânicos, das expressões indígenas e afro-descendentes – que reivindicam substâncias psicoativas para suas manifestações – e das festas religiosas contempladas pela nossa vasta diversidade cultural. Os usos de substâncias psicoativas inseridos em rituais religiosos ainda padecem, no Brasil e em inúmeros países, de dificuldades para afirmarem-se juridicamente.
A lei n. 11.343/06, que regulamenta as políticas brasileiras concernentes às “drogas”, diretamente infuenciada por aquela convenção da ONU, ainda não reconhece os usos culturais de certas substâncias psicoativas vinculadas a rituais, tampouco possui classificações e penalizações diferenciadas para os usos tradicionais de “drogas”. Numa frase: a atual legislação não contempla certas singularidades culturais.
A diferenciação entre o consumo próprio – individual ou coletivo – e o tráfico ainda não foi totalmente estabelecida. A ausência de tal distinção acarreta um tratamento de desconfiança moral, policial e legal frente a todos os usuários de substâncias psicoativas, independente de seus hábitos e dos contextos culturais. Precisamos balizar de um modo mais atento e detalhado as relações entre os usos, o consumo, a circulação e os direitos privados dos cidadãos brasileiros. Talvez devamos repensar e reconsiderar a relação entre o Estado, as drogas e os direitos privados. Talvez este seja um passo imprescindível para o amadurecimento das políticas públicas relacionadas às “drogas”.
Apesar do crescente reconhecimento da relevância de abordagens, estudos e pesquisas que enfatizam esses aspectos culturais do uso de “drogas”, ainda persiste uma tendência a atribuir maior legitimidade aos estudos sobre o assunto desenvolvidos no âmbito das ciências da saúde: como a medicina, a farmacologia e a psicologia. As abordagens sociais tendem a ser levadas em consideração somente quando são realizadas no âmbito do crime, do tráfico, da violência urbana ou da pobreza, sendo desvalorizadas quando enfrentam diretamente a questão do uso de “drogas” e os usos culturais. A incapacidade de lidar com a complexidade do fenômeno das “drogas” e essa opção por um tratamento unilateral influencia o campo político, onde se percebe o empobrecimento das análises e a ausência dos aspectos socioculturais na concepção das políticas públicas direcionadas a elas.
O Ministério da Cultura (MinC) vem defendendo a incorporação da compreensão “antropológica” das substâncias psicoativas, uma abordagem mais voltada para a atenção aos comportamentos e aos bens simbólicos despertados pelos diversos usos culturais das drogas. Desde 2004, o MinC vem reconhecendo o papel crucial desempenhado pela cultura e seus contextos na constituição dos efeitos produzidos pelo uso de “drogas”, tanto em nível individual quanto social. Optamos por exercer um papel propositivo na elaboração da atual política nacional sobre a matéria, reivindicando, por exemplo, um lugar no Conselho Nacional Antidrogas (CONAD) e participando ativamente de suas deliberações, buscando sempre a ênfase na redução dos danos.
O livro Drogas e cultura: novas perspectivas expressa uma valorização do papel das ciências humanas na reflexão sobre o tema das drogas e, paralelamente, procura relacionar esta análise a um extenso conjunto de discussões. Dessa forma, os artigos que compõem o presente livro abordam o uso desse tipo de substância em contextos culturais e históricos diversos. Indicam que, longe de se limitar a um vínculo com o problema da violência ou da criminalidade social, o consumo de “drogas”, desde sempre, remeteu a várias esferas da vida humana, ligando-se a fenômenos religiosos, movimentos de construção (ou reconstrução) de identidades de minorias sociais, étnicas, geracionais, de gênero, ou ainda a produções estéticas. No livro, estudiosos partem de diferentes disciplinas e trajetórias de pesquisas enfocando os cenários socioculturais que envolvem o seu uso. Aponta-se, deste modo, que fatores de ordem moral e cultural possuem uma ação determinante na constituição de padrões reguladores ou estruturantes do consumo de todos os tipos de “drogas”. Escapa-se de uma visão simplista sobre o assunto, destacando que o tema deve ser abordado preferencialmente de uma perspectiva multidisciplinar, já que a sua compreensão envolve a consideração de diversos aspectos, como os farmacológicos, psicológicos e socioculturais. Não se trata, portanto, de colocar a perspectiva das ciências humanas como a mais relevante, nem de desconsiderar os riscos e as complexidades bioquímicas do uso dessas substâncias, mas de abrir mais espaço para esse tipo de reflexão na discussão sobre as drogas na atualidade.
Estamos no terreno das culturas; todas elas partem da enorme diversidade de práticas, representações, símbolos e artes que habitam o Brasil. Para o bem e para o mal, as “drogas” são e estão na cultura. Ou melhor, nas culturas e, portanto, não podem ser entendidas fora delas.
Este livro estimula a refletir com mais atenção sobre os diversos usos das drogas pelas populações. Essa diversidade de usos e consumos é o espelho da nossa própria diversidade cultural. Nossos pesquisadores e nossa legislação devem, em alguma medida, levar em consideração a dimensão cultural para cunhar políticas públicas mais eficazes e mais adequadas à contemporaneidade.

O Lobo da Estepe e Os Stalkers

Publicado: agosto 2, 2009 em Variedades


Herman Hesse com certeza conhecia certas particularidades da alma humana,informações onde poucos chegaram,ele pois,adentrou neste limbo sórdido da consciência humana,e o que lá encontrou nos mostrou através de sua arte.Nos movimentos suaves de suas mãos,que conduzia uma fina caneta de pena,escreveu um livro,que se tornou célebre,não só pela forma extraordinária com a qual foi escrita,mais também por nos guiar ao nosso próprio intimo,traduzindo em palavras alguns mistérios de nossas almas.

Tal é o fascínio que poucos,após o lerem,não se identificam como autênticos Lobo da Estepe,um ser ,assim como nós,polarizados,divididos entre almas,meio lobo,meio humano,ou entre outras milhares de almas que aos poucos com o sabor da vida,nos é mostrada,como um teatro mágico,onde só os loucos ousam adentrar.Agora projetos certos “Stalkers”,eles não são igual ao Harry Haller,que não passa de um mero sofredor,mas sim igual a Hermínia,ou ao saxofonista Pablo,são pessoas que sabem o caminho para a realizações de segredos,de descobrimento,não são os coadjuvantes da ópera da vida,mas sim seus espectadores.

Tal qual como o “Stalker” de Andrei Tarkovsky,o filme trata de um rapaz que sabe guiar os outro através de um zona,onde supostamente afirmam ter caído um objeto a qual levava seres alienígenas,nesta “zona”existe uma sala onde todos os desejos podem ser realizados.Os Stalkers são os únicos que podem guiar outras pessoas à esta sala.No filme um stalker leva um professor e um escritor à sala,ambos partilham de um alma sofredora,discutem filosofia e tentam se aventurar nos lugares mais obscuros da consciência,os caminhos portanto,só podem ser atravessados por aqueles cuja alma seja seu fardo.Talvez o professor seja Harry Haller,e seu Stalker Hermínia,a relação entre um Stalker e um Lobo da Estepe pode parecer incoerente,mas amigos,trata-se de dois pólos,um o lobo da estepe,a qual pensa erguer uma alma “rara” daquelas que poucos possuem,mas muitos dizem ter,e o outro,seu redentor,sua estrela ao qual só eles podem ver o brilho e segui-las,para alcançar a bem aventurada sala,ou algum teatro mágico,só para loucos.

Não pense você,caro leitor,que o mundo não passa de meras representações humanas,que nossas almas são únicas,e sem sentido,este mundo,meu caro amigo,esta cheio de Stalkers e lobos caminhando em suas estepes,prestes a se encontrarem,e passam despercebidos,certos que nunca serão compreendidos…….mas basta lhes dizer que foram traduzidos pela arte,por um filme,por um livro,por uma música,seja por Mozart,por poetas como Goethe,escritores como Herman Hesse,cineastas como Andrei Tarkovsky,ou sei lá,por loucos como Tom Yorke…..