Arquivo de julho, 2008

A Mulher Mais Linda da Cidade

Publicado: julho 31, 2008 em Literatura
“Repulsa, nojo, ódio, amor, paixão e melancolia. Esses são alguns dos sentimentos que mais inspiraram Charles Bukowski, alemão que passou a vida nos becos dos Estados Unidos, na composição de toda sua obra. Cada poesia, cada romance e cada conto do escritor traz um pouco da vida do “Velho Safado”, como ficou conhecido no mundo inteiro”

“Das 5 irmãs, Cass era a mais moça e a mais bela. E a mais linda mulher da cidade. Mestiça de índia, de corpo flexível, estranho, sinuoso que nem cobra e fogoso como os olhos: um fogaréu vivo ambulante. Espírito impaciente para romper o molde incapaz de rete-lo. Os cabelos pretos, longos e sedosos, ondulavam e balançavam ao andar.
Sempre muito animada ou então deprimida, com Cass não havia esse negócio de meio-termo. Segundo alguns, era louca. Opiniões de apáticos. Que jamais poderiam compreende- la . Para os homens, parecia apenas uma máquina de fazer sexo e poucos estavam ligando para a possibilidade de que fosse maluca. E passava a vida a dançar, a namorar e beijar. Mas, salvo raras exceções , na hora agá sempre encontrava forma de sumir e deixar todo mundo na mão. As irmãs a acusavam de desperdiçar sua beleza, de falta de tino; só que Cass não era boba e sabia muito bem o que queria : pintava, dançava, cantava, dedicava-se a trabalhos de argila e, quando alguém se feria , na carne ou no espírito, a pena que sentia era uma coisa vinda do fundo da alma. A mentalidade é que simplesmente destoava das demais: nada tinha de prática. Quando seus namorado ficavam atraídos por ela, as irmãs se enciumavam e se enfureciam, achando que não sabia aproveita- los como mereciam. Costumava mostrar-se boazinha com os feios e revoltava-se contra os considerados bonitos- “uns frouxos”, dizia, ” sem graça nenhuma. Pensam que basta ter orelhinhas perfeitas e nariz bem modelado….. Tudo por fora e nada por dentro…. ” Quando perdia a paciência, chegava as raias da loucura; tinha um gênio que alguns qualificavam de insanidade mental. O pai havia morrido alcoólatra e a mãe fugira de casa, abandonando as filhas. As meninas procuraram um parente, que resolveu interná- las num convento. Experiência nada interessante, sobretudo para Cass. As colegas eram muito ciumentas e teve que brigar com a maioria. Trazia marcas de lâmina de gilete por todo o braço esquerdo, de tanto se defender durante suas brigas. Guardava, inclusive, uma cicatriz indelével na face esquerda, que em vez de empanar-lhe a beleza só servia para realça- la. Conheci Cass uma noite no West End Bar. Fazia vários dias que tinha saído do convento. Por ser a caçula entre as irmãs , fora a ultima a sair. Simplesmente entrou e sentou-se do meu lado. Eu era provavelmente o homem mais feio da cidade- o que bem pode ter contribuído.

– Quer um drinque?- perguntei.
-Claro por que não?
Não creio que houvesse nada de especial na conversa que tivemos essa noite. Foi mais a impressão que causava. Tinha me escolhido e ponto final. Sem a menor coação . Gostou da bebida e tomou várias doses. Não parecia ser de maior idade, mas, não sei como, ninguém se recusava a servi- la. Talvez tivesse carteira de identidade falsa , sei lá. O certo é que toda vez que voltava do toalete para sentar do meu lado, me dava uma pontada de orgulho. Não só era a mulher mais linda da cidade como também das mais belas que vi em toda minha vida. Passei- lhe o braço pela cintura e dei- lhe um beijo.
– Me acha bonita?- perguntou.
– Lógico que acho, mas não é só isso…. é mais que uma simples questão de beleza…
– As pessoas sempre me acusam de ser bonita. Acha mesmo que sou?
– Bonita não é bem o termo, e nem te faz justiça.
Cass meteu a mão na bolsa. Julguei que estivesse procurando um lenço. Mas tirou um longo grampo de chapéu. Antes que pudesse impedir, já tinha espetado o tal grampo, de lado, na ponta do nariz. Senti asco e horror. Ela me olhou e riu.
– E agora, ainda me acha bonita? O que é que você acha agora, cara?
Puxei o grampo, estancando o sangue com o lenço que trazia no bolso. Diversas pessoas, inclusive o sujeito que atendia no balcão, tinha assistido a cena. Ele veio até a mesa:
– Olha – disse para Cass,- se fizer isso de novo, vai ter que dar o fora. Aqui ninguém gosta de drama.
– Ah vai te foder, cara!
– É melhor não dar mais bebida pra ela- aconselhou o sujeito.
– Não tem perigo- prometi –
O nariz é meu – protestou Cass, – faço dele o que bem entendo.
– Não faz, não – retruquei, – porque isso me dói.
– Quer dizer que eu cravo o grampo no nariz e você é que sente dor?
– Sinto , sim. Palavra
– Está bem, pode deixar que eu não cravo mais. Fica sossegado.
Me beijou ainda sorrindo e com o lenço encostado no nariz. Na hora de fechar o bar, fomos para onde eu morava. Tinha um pouco de cerveja na geladeira e ficamos lá sentados, conversando. E só então percebi que estava diante de uma criatura cheia de delicadeza e carinho. Que se traía sem se dar conta. Ao mesmo tempo que se encolhia numa mistura de insensatez e incoerência. Uma verdadeira preciosidade. Uma jóia, linda e espiritual. Talvez algum homem, uma coisa qualquer , um dia a destruísse para sempre. Fiquei torcendo para que não fosse eu.
Deitamos na cama e , depois apaguei a luz, Cass perguntou:
– Quando é que você quer transar? Agora ou amanhã de manhã?
– Amanhã de manhã- respondi virando de costas para ela.
No dia seguinte me levantei e fiz dois cafés. Levei o dela na cama. Deu uma risada.
– Você é o primeiro homem que conheço que não quis transar de noite.
– Deixa pra lá – retruquei, – a gente nem precisa disso.
– Não, pera aí , agora me deu vontade. Espera um pouco que não demoro.
Foi até o banheiro e voltou em seguida, com uma aparência simplesmente sensacional- os longos cabelos pretos brilhando, os olhos e a boca brilhando, aquilo brilhando…. Mostrava o corpo com calma, como a coisa boa que era. Meteu- se em baixo do lençol.
– Vem de uma vez, gostosão.
Deitei na cama. Beijava com entrega, mas sem se afobar. Passei- lhe as mãos pelo corpo todo, por entre os cabelos. Fui por cima. Era quente, apertada. Comecei a meter devagar, compassivamente, não querendo acabar logo. Os olhos dela encaravam, fixos os meus.
– Qual é teu nome? – perguntei.
– Porra, que diferença faz? – replicou.
Ri e continuei metendo. Mais tarde se vestiu e levei-a de carro de novo para o bar. Mas não foi nada fácil esquece- la. Eu não andava trabalhando e dormi até as 2 da tarde. Depois levantei e li o jornal. Estava sentado na banheira quando ela entrou com uma folhagem grande na mão – uma folha de inhame.
– Sabia que ia te encontrar no banho- disse, – por isso trouxe isto aqui pra cobrir esse seu troço aí, seu nuclista. E atirou a folha de inhame dentro da banheira.
– Como adivinhou que eu estava aqui?
– Adivinhando, ora.
Chegava quase sempre quando eu estava tomando banho. O horário podia variar, mas Cass raramente se enganava. E tinha todos os dias a folha de inhame. Depois a gente trepava. Houve uma ou duas noites em que telefonou e tive que ir pagar a fiança para livra- la da detenção embriaguez ou desordem.
– Esses filhos da puta- disse ela, – só porque pagam umas biritas pensam que são donos da gente. – Quem topa o convite já esta comprando barulho.
– Imaginei que estivessem interessados em mim e não apenas no meu corpo.
– Eu estou interessado em você e também no teu corpo. Mas duvido muito que a maioria não se contente com o corpo.
Me ausentei seis meses da cidade, vagabundei um pouco e acabei voltando. Não esqueci Cass, mas a gente havia discutido por algum motivo qualquer e me deu vontade de zanzar por aí. Quando cheguei, supus que tivesse sumido, mas nem fazia meia hora que estava sentado no West End Bar quando entrou e veio sentar no meu lado.
– Como é, seu sacana, pelo que vejo você já voltou.
Pedi bebida pra ela. Depois olhei. Estava com um vestido de gola fechada. Cass jamais tinha andando com um traje desses. E logo abaixo de cada olheira, espetados, havia dois grampos com ponta de vidro. Só dava para ver as pontas, mas os grampos, virados para baixo, estavam enterrados na carne do rosto.
– Porra, ainda não desistiu de estragar tua beleza?
– Que nada seu bobo, agora é moda.
– Pirou de vez.
– Sabe que senti saudade? – comentou.
– Não tem mais ninguém no pedaço?
– Não , só você. Mas agora resolvi dar uma de puta. Cobro dez pratas. Pra você , porém é de graça.
– Tira esses grampos daí.
– Negativo. É moda.
– Estão me deixando chateado.
– Tem certeza?
– Claro que tenho ,po. Cass tirou os grampos devagar e guardou na bolsa.
– Por que é que faz tanta questão deesculhambar o teu rosto? – perguntei.
– Quando vai se conformar com a idéia de ser bonita.?
– Quando as pessoas pararem de pensar que é a única coisa que eu sou. Beleza não vale nada e depois não dura. Você nem sabe a sorte que tem de ser feio. Assim quando alguém simpatiza contigo, já sabe que é por outra razão.
– Então ta. Sorte minha né?
– Não que você seja feio. Os outros é que acham. Até que a tua cara é bacana.
– Muito obrigado. Tomamos outro drinque.
– O que anda fazendo? – perguntou.
– Nada. Não há jeito de me interessar por coisa alguma. Falta de animo.
– Eu também. Se você fosse mulher, podia ser puta.
– Acho que não ia gostar de um contato tão íntimo com tantos cara desconhecidos. Acaba enchendo.
– Puro fato, acaba enchendo mesmo. Tudo acaba enchendo.
Saímos juntos do bar. Na rua as pessoas ainda espantavam com Cass. Continuava linda talvez mais do que antes. Fomos para o meu endereço. Abri uma garrafa de vinho e ficamos batendo papo. Entre nós dois a conversa sempre fluía espontânea. Ela falava um pouco, eu prestava atenção, e depois chegava a minha vez. Nosso diálago era assim, simples, sem esforço nenhum. Parecia que tínhamos segredos em comum. Quando se descobria um que valesse a pena, Cass dava aquela risada- da maneira que só ela sabia dar. Era como a alegria provocada por uma fogueira. Enquanto conversávamos, fomos nos beijando e aproximando cada vez mais. Ficamos com tesão e resolvemos ir para a cama. Foi então que Cass tirou o vestido de gola fechada e vi a horrenda cicatriz irregular no pescoço – grande e saliente.
– Puta que pariu, criatura- exclamei, já deitado.- Puta que pariu. Como é que você foi me fazer uma coisa dessas?
– Experimentei uma noite, com um caco de garrafa. Não gosta mais de mim? Deixei de ser bonita?
Puxei- a para a cama e dei- lhe um beijo na boca. Me empurrou pra trás e riu.
– Tem homens que me pagam as dez pratas, aí tiro a roupa e desistem de transar. E eu guardo o dinheiro para mim. É engraçadíssimo .
– Se é – retruquei, – estou quase morrendo de tanto rir… Cass , sua cretina eu amo você… mas para com esse negócio de querer se destruir, você é a mulher mais cheia de vida que já encontrei. Beijamos de novo. Começou a chorar baixinho. Sentia – lhe as lágrimas no rosto. Aqueles longos cabelos pretos me cobriam as costas feito mortalha. Colamos os corpos e começamos a trepar, lenta, sombria e maravilhosamente bem. Na manha seguinte acordei com Cass já em pé, preparando o café. Dava a impressão de estar perfeitamente calma e feliz. Até cantarolava. Fiquei ali deitado, contente com a felicidade dela. Por fim veio até a cama e me sacudiu.
– Levanta cafajeste! Joga um pouco de água fria nessa cara e nessa pica e venha participar da festa!
Naquela dia convidei-a para ir á praia de carro. Como estávamos na metade da semana e o verão ainda não havia chegado, encontramos tudo maravilhosamente deserto. Ratos de praia, com a roupa em farrapos, dormiam espalhados pelo gramado longe da areia. Outros, sentados em bancos de pedra, dividiam uma garrafa de bebidas da tristonha. Gaivotas esvoaçavam no ar, descuidadas e no entanto aturdidas. Velhinhas de seus 70 ou 80 anos, lado a lado nos bancos, comentavam a venda de imóveis herdados de maridos mortos há muito tempo, vitimados pelo ritmo e estupidez da sobrevivência . Por causa de tudo isso, respirava- se uma atmosfera de paz e ficamos andando, para cima e para baixo, deitando e espreguiçando-nos na relva, sem falar quase nada. Com aquela sensação simplesmente gostosa de estar juntos. Comprei sanduiches, batatas frita e uns copos de bebida e nos deixamos ficar sentados, comendo na areia. Depois me abracei a Cass e dormimos encostados um no outro durante durante quase uma hora. Não sei por que , mas foi melhor do que se tivéssemos transado. Quando acordamos, voltamos de carro para onde eu morava e fiz o jantar. Jantamos e sugeri que fossemos para a cama. Cass hesitou um bocado de tempo, me olhando, e ai então respondeu, pensativa:
– Não. Levei- a outra vez até o bar, paguei-lhe um drinque e vim- me embora . no dia seguinte encontrei serviço como empacotador numa fabrica e passei o resto da semana trabalhando. Andava cansado demais para cogitar de sair á noite, mas naquela sexta- feira acabei indo ao West End Bar. Sentei e esperei por Cass. Passaram- se horas. Depois que já estava bastante bêbado, o sujeito que atendia no balcão me disse:
– Uma pena o que houve com sua amiga.
– Pena por que?
– Desculpe . Pensei que soubesse.
– Não.
– Se suicidou. Foi enterrada ontem.
– Enterrada? – repeti Estava com a sensação de que ela ia entrar a qualquer momento pela porta da rua . Como poderia estar morta?
– Sim, pelas irmãs .
– Se suicidou? Pode- se saber de que modo?
– Cortou a garganta.
– Ah! Me dá outra dose.
Bebi até a hora de fechar. Cass a mais bela das 5 irmãs, a mais linda mulher da cidade. Consegui ir dirigindo até onde morava. Não parava de pensar. Deveria ter insistido para que ficasse comigo em vez de aceitar aquele “não”. Todo o seu jeito era de quem gostava de mim. Eu é que simplesmente tinha bancado o durão, decerto por preguiça por ser desligado demais. Merecia a minha morte e a dela. Era um cão. Não, para que por a culpa nos cães? Levantei, encontrei uma garrafa de vinho e bebi quase inteira. Cass, a garota mais linda da cidade, morta aos vinte anos. Lá fora, na rua, alguém buzinou dentro de um carro. Uma buzina fortíssima, insistente. Bati a garrafa com força e gritei:
– MERDA! PÁRA COM ISSO, SEU FILHO DA PUTA!
A noite foi ficando cada vez mais escura e eu não podia mais fazer nada.”

Paixão Ambulante

Publicado: julho 21, 2008 em Contos

Passava despercebido entre todos,esbarrava a cada passo em ombros alheios,ignorava os olhares raivosos e os xingamentos em vozes alta.Andava rápido,sem rumo,apenas andava.Procurava não pisar nos riscos dos ladrilhos,se ocupava por as vezes a dar pulos ridículos passando de um piso ao outro,e na calçada ficava observando o melhor caminho a fazer,sem ter o incomodo de pisar naqueles pequenos vãos de superfície.
Sua aparência ,para não dizer medíocre,era fantasmagórica.Os trapos lhe deixavam branco,pálido feito uma escuridão clara,sua barba,seu penteado,estavam oleosos,cheirava a carne podre.No entanto não ligava para nada,quem o via mal notava que este jovem e ainda belo rapaz pertencia a uma das mais nobres família da Escócia,rica e com o sobrenome real Austin.


Com as duas mão sobre as costas não percebia o menor movimento ao seu redor,olhava diretamente para o chão e ria dos seus próprios pés.Seria tão excêntrico,extraordinário ser humano,que vivia apenas ligado aos vícios dos sofistas e niilistas.Presenciava uma espécie de fascínio sobre as almas vulgares do mundo,queria conhecer cada ser desconjuntado mentalmente,pois sabia que fazia-lhe semelhança.
Foi nestas escapadas surreais,que uma súbita moça sentada ao monumento patriarcal da praça lhe tomou os olhares.Penetrava profundamente em sua alma,aqueles olhos túrgidos,encharcados de melancólicas lágrimas de inverno.Diante dos olhares viu-se apaixonado pela efígie de mármore,com um simples gesto labial pôde notar todos os sulcos que aquele lábio podia lhe provir,nunca sentira deveras atracão momentania,era como aquela visão de Vênus lhe tivesse atravessado a alma,permeado em seu coração e encharcado seu sangue com os plasmas do amor.
Foi a última vez que a viu.Perambulou dias e noites a sua procura,entre becos e brigas de rato,dormiu ao céu de veludo.
Procurou certa explicação para o que lhe aconteceu,uma paixão desconhecida era-lhe estranha,aliás,todas as paixões o ignorava.Seria como encontrar o seu ser que estava a vagar pelas ruas,sentiu uma febre que esquentava-lhe o corpo feito brasa.Descobriu por fim que jamais a viria novamente,deitado sobre as estrelas a febre lhe tomava o corpo,iria morrer apaixonado por uma desconhecida,afinal seria este o verdadeiro amor,seus pensamentos já não eram ambulantes,pois agora tinham em quem pousar seus olhos imaginários.

Um Grito Dissonante.

Publicado: julho 14, 2008 em Contos

Vindo dos mais belos jardins,um menino escutava os sexos rugirem,balançavam ao ar,livres,despercebidos do inconveniente de estarem a ser ouvidos.Respiravam à vida,faziam o que era mais comum e necessário à ela,estavam em seu divã a contemplar a beleza pura das tranzações. O menino escondido destas desavenças eróticas,apenas escutava sem saber o que se passava naquele recinto,eram sussurros que lhe espinhavam a alma,sentia-se que jamais ouvira coisa mais suave e contemplante.Os gemidos,os toques das peles a se encontrarem,atormentava-lhe os pensamentos.

O que seria aquilo?
Por que estão com as portas e cortinas fechadas?
Por que a de ficar aqui,eu escondido a ouvir tantos desgostos?

Abre a porta e vê a cena mais surreal de sua vida,despida até os pés aquela mulher,balanceava aos ombros de outra mulher,estavam a esfregarem os sexos,a penetrar suas línguas entres os mais descabidos orifícios,o ar cheirava a sêmen vaginal,sob uma turva roseada de véu,ressonava um espírito impuro e melancólico de apenas oito anos,que contemplava tal cena sem piscar-lhe os olhos.

Ambas mal sentiram a presença do garoto que chorava melancolicamente antes de abrir a porta,por causa de uma ferida feita aos pulos nos jardins.Continuavam a se lamberem afectuosamente,como se fossem irmãs,gemia por entre as gargantas,e falavam coisas que ouvido algum jamais ouvira.Era uma paixão inconstitucional,proibida entres os humanos,descabida e depravante perante os olhos de jesus.Se lixavam para tais dogmas,faziam com tão gosto,que os orgasmos não demoravam a vir,eram puros de sensações reais,vinham naturalmente chamados por um pedaço de carne flutuante em seus lábios.

Um grito aturdia seus ouvidos,era daqueles tipos agudos,que arrepiavam os pelos do corpo.O menino gritou durante algum tempo,soltou todo o seu repudio contra aqueles dois amantes,tinha vontade de mata-las a facadas,imaginava uma faca a cortas as vísceras de ambas,tinha vontade de sentir o cheiro do sangue.Não sabia o que lhe estava a correr entre os olhos,mas não havia a menor dúvida que aquilo não se fazia,era errado,não podia suportar,queria mata-las.

Assustadas e envergonhadas,ambas puseram a se cobrir com a manta húmida de suor feminino,condenavam-se por ter deixada a porta entre-aberta e começavam e se odiar por isso.
-Um Absurdo!Porque estás a nós olhar assim seu Moleque perverso!Saia já deste quarto!
-Não Grite assim com ele!Há de um dia saber quem é sua mãe e como vivo!

Saiu ofendida,não iria a pagar nem um centavo à aquela puta.Nem se quer tinha se vestido,saiu nua pela casa,a passar ao portão um homem tentou agarra-la e puxou-lhe os cabelos.
-Onde pensas que vai assim desse jeito.Não lhe dou tal atrevimento de andares por assim à luz do dia.
-Larga-me que já estou farta de suas raparigas!Não ponho mais meus pés neste lugar enfadonho!
Atravessou a rua e alugou um táxis,que se apressou a lhe buscar alguma manta,ou algo que pudessem lhe cobrir os seios e seu sexo,este ainda pingava suor.

Deitada sobre o divã com almofadas rosas e manta cor salmão a mulher olhava fixamente ao seu filho,que agora estava a contemplar seus seios.
-Porque me olhas assim,repudias-tes sua mãe?
Não sabia o que fazer,não tinha idade suficiente para compreender tudo aquilo que passava a sua mente,entendia apenas que tinha remorso,e que queria mata-la.