Arquivo de setembro, 2010

Parece contraditório o título a qual começo este ensaio,porém,chegamos em um ponto da nossa sociedade em que tal contradição se massifica a ponto de alterar nossa capacidade de emancipação perante o mundo que nos oprime.

A informação é o meio a qual nos comunicamos com o mundo ao nosso redor,temos diferentes relatos do mesmo fenômeno,sem ao mesmo tê-lo visto ocorrer,todos os dias vêm ao nosso conhecimento milhares de informações sobre o que aconteceu no bairro,na cidade ,no nosso país  e em outros “além mar”.A informação como fonte de conhecimento deve ser bem vinda a todos os cidadãos,uma pessoa bem informada é aquela à qual devemos nos dirigir para uma possível conversa sobre política,economia e outros tantos assuntos que somente aqueles a qual possuí o conhecimento sobre os fenômenos que o circula  tem capacidade de nos trazer a veracidade aos fatos,e com isto podemos elabora nossa própria opinião sobre como “anda o mundo” e possivelmente ,delinearmos “para a onde ele deva ir”.Sendo assim passamos diversas horas lendo jornais,assistimos TV várias horas por dia, e nos conectamos todos os dias ,diversas horas, sob fios e cabos à frente de um monitor,obtendo e guardando informações diversas,sobre dezenas de assuntos.A informação paira como uma nuvem  sobre nossas cabeças, move as massas por uma grande célula,sempre se reproduzindo e englobando novas tendências que recebemos minuto após minutos.

Somos,como descrevo,capazes de assimilar e guardar múltiplas informações,parte do nosso intelecto está sempre alerta a novas conexões que ele possa fazer.Somo seres de pura informação,desde o nosso gesto de andar até a primitiva forma de civilização,necessitamos e aderíamos à informação.O sistema em que vivemos está aqui ,”funcionando como roldanas”,engrenagens sobre engrenagens,construindo a “estrutura”,graças ao nosso dom de se comunicar,ou seja,de nos informar e passar adiante nossa informação.

Uma compreensão de mundo,uma “visão geral” sobre seus fenômenos,é maneira de instrumento que temos,como capacidade fenomenológica de “prever” as “pegadas” dos acontecimentos.O homem assim adquire o dom do “porvir” do “vir a fazer”e tornam-se senhor de sua história.Se andássemos assim,como Hegel imaginava,para uma totalidade emancipadora do mundo,estaríamos por certo em uma outra  “carcaça de condições humanas”.Por certo estamos, hoje a par ,de que nossos passos para emancipação estão sendo vigiados.

Passando por Marx e a primeira idéia capitalista de alienação,até Foucault sobre as abstrações “socio-filosóficas” de Vigiar e Punir,chegaremos ao nosso presente,convictos de que  a informação como possível instrumento de emancipação (conhecimento totalizante) cauí em desgraça no sistema” tecno-capitalista”,a alienação fruto eterno do capitalismo e gerador da “mais-valia”,agora circunscreve delicadamente,quase que invisivelmente,as “redes de pesca”,para nos manter acorrentados e presos no próprio coração do sistema.

A informação, sob este prisma nos és dada com a mesma fluidez e rapidez que um “ produto enlatado”,que após o consumo é descartada e acumulada em aterros de lixo.Consumimos por assim dizer,centenas de informações por dia,algumas,a maioria das vezes inúteis ao nosso dia.A alienação está aqui,igualmente à um cão que morde em círculos o próprio rabo,sem saber de onde ele vem.Ela reproduz incansavelmente as mesmas informações de diferentes maneiras durantes tempo indeterminado,igual àquele comercial que antes,durante e após o jogo de futebol passa diversas vezes,aliás igualmente é a própria imagem do futebol ao qual assistimos,uma informação dada e prévia com a mesma saturação de estratégias e comentários,onde só nos salvamos por uma jogada individual à qual foge a rotina hoje tão instrumentalizada do futebol.

A informação jogada para nós como alienação,nos deixa embriagado,incapazes de ver o mundo como ele realmente é,ou como outra forma a qual gostaríamos que ele fosse.Ela é assim massificada e ao invés de trazer e produzir novas possibilidades,se engloba numa mesma célula,para se reproduzir e englobar outras.Nossa visão de mundo,não é experimentada,simplesmente nos é dada. As leituras que fazemos sobre algum objeto,ou sobre algum comercial na TV,é antes impostas à nossa inteligibilidade.

Não é de se espantar,que perante tantas leituras disponíveis,não conseguimos nem se quer destingir uma das outras.Não paramos para pensar,a uma certa altura,quem nos dita as informações,apenas queremos elas.Com a massificação de informações que mudam continuamente,perder um capítulo da novela,ou um acidente que passou a poucas horas no Telejornal,já nos deixa perdidos e desinformados.Como uma corrida para chegar sabe-se lá onde,aderimos a milhares de assinaturas  nas “rede sociais”,nos conectamos com dezenas de desconhecidos a par somente de somar informações .

A sociedade hoje,passa por um movimento rápido ,onde as informações dadas abrange o mundo inteiro,a alienação consecutivamente é expandida de forma direta,mascarada sobre o júbilo de que somente o conhecimento é a liberdade.Uma liberdade cada vez mais rara,como aquele “caipira” do sertão,preso as enfermidades da terra e ao calor do sol,que adquire o conhecimento da vida sobre as condições próprias,ao invés de se jogar ao conhecimento dado é prévio das “informações”,como nós, que somos atropelados por elas ,e buscamos assim,o conhecimento da vida nas mais banais das mesmas.

Anúncios