Arquivo da categoria ‘Cinema’

Gaspar Noe,Franco-Francês,nasceu em Buenos Aires em 1963.Polêmico,audacioso,inovador,ou simplesmente louco,verdade é que seus filmes sempre imergem do subterrâneo,do “underground”, ao sucesso de vendas,como por exemplo “Irreversível” um filme aclamado e ao mesmo tempo odiado pelas críticas e pelo público.Em sua nova produção,ou não tão nova assim,pois a idéia deste filme já vinha perturbando Gaspar a um bom tempo,antes mesmo de Irreversível(2002) que foi como um ensaio ,diz o cineasta, para Enter The Void.Sendo assim o filme estréia ainda este ano (em maio de 2011) aqui pelo Brasil,porém eu como um bom cinéfilo já baixei,sincronizei as legendas,e gravei-o em DVD,curtindo mais de 2h e meia de filme(uma viagem um tanto psicodélica),em meu sofá comendo pipoca e tomando guaraná.

A estética de um filme é a sua primeira impressão,as vezes um filme pode ter um péssimo roteiro mas se possuí uma boa estética visual será bem recebido pelo público em geral,e logo se tem um filme com um ótimo lucro mas que não consegue dizer nada.O que diferencia um bom filme de um filme “bem feito”  é a junção entre a estética e o roteiro,à qual é o ingrediente certo para os bons filmes.Enter the Void junta tais conceitos perfeitamente,a estética é, digamos, um tanto “psicodélica”,com muito jogo de luz e viagens computadorizadas com efeitos “retro”e que está em consonância com o jeito inovador de filmagem,para quem não sabe o filme é em “primeira pessoa”,a câmera (um artefato técnico do cinema) vira personagem do filme,introduzindo o espectador  dentro do mesmo,tudo juntado e em simetria com a estética de luzes e o jeito de manusear livremente as tomadas.

Em seguida o roteiro não só depende dessa estética em primeira pessoa e excêntrica,como é parte fundamental desta,uma simetria muito bem trabalhada por Noé e que o põe como um dos grandes cineasta do nosso tempo.Oscar vive em Tóquio(há cidade no mundo mais iluminada do que Tóquio?),perdeu os pais em um acidente de carro e só lhe sobrou sua irmã,esta vive como stripper e ele começa a vender drogas.Ponto para dizer,uma das primeiras cenas do filme é Oscar inalando DMT,tudo é claro em primeira pessoa,a viagem desta cena,e de outras várias,utilizando como pano de fundo drogas alucinógenas e efeitos de luzes com uma câmera totalmente alucinada e livre é uma cena única e rara no cinema.Ponto para recomeçar,Oscar vai fazer uma entrega em um lugar chamado The Void e é assassinado alí,passando para uma nova perspectiva,uma perspectiva fora de seu corpo,é uma viagem astral em que a partir daí,do ser vagando entre as paredes de Tóquio,que começa toda a essência do roteiro.Em Irreversível Gaspar Noé,escreveu um roteiro em que na verdade era escrito como o filme,de trás para frente,em Enter The Void o roteiro é em outra perspectiva,a de um espírito que “viaja” e acompanha todos os outros personagens,mas que também vive suas lembranças e seus traumas. Inspiração pura do livro Tibetano dos Mortos.Ou de uma viajem do diretor com Ayahuasca nos planaltos do México.

Porém nem tudo é só mar do rosas,Enter The Void é considerado um filme “Junkie”e de fato é,cenas de sexo e drogas é o que não faltam no filme,assim como um certo mal estar com a câmera,por exemplo são horas só de tomadas como a visão que passa por cima dos prédios vendo o seu interior,horas de cenas nebulosas e tapes com luzes piscastes,mas em fim,é um ótimo Junkie,imperdível para quem já admirava Gaspar Noe,e essencial para quem curti um bom filme excêntrico.Eu espero outra oportunidade para revelo,talvez agora com um pouco menos de lucidez.

Vozes Da Maioria Silenciadas

Publicado: janeiro 12, 2009 em Cinema
“O Maior inimigo do conhecimento não é a ignorância,é a ilusão do conhecimento” (Stephen Hawking)

É um documentário que aborda o conflito Israelo-Palestino dirigido por Sufyan Omeish e Abdallah Omeish, e narrado por Alison Weir, fundadora do If Americans Knew. O filme discute os eventos a partir do surgimento do movimento Sionista até a segunda Intifada, a limpeza étnica da Palestina, as relações entre Israel e Estados Unidos e as violações dos direitos humanos e abusos cometidos por colonos e soldados israelenses contra os Palestinos.

Estamira

Publicado: dezembro 30, 2008 em Cinema


Dilacerada por uma sociedade doente,e classificada como “louca”,a sábia Estamira mostra que está mas lúcida do que nunca.Estamira deve ser ouvida,vista,pensada e relembrada,como um “Astro” positivo que ilumina-se em meio ao um”Lixão”.

Premiado no mundo inteiro Estamira mostra sua visão sobre a vida,dita como “louca” pelo seus filhos,ela eleva-se ao próprio discurso,e revela-se como uma “sábia feiticeira”.Estamira precisa ser escutada.

Selecionei este belo texto que encontrei pela Internet a fora.

Texto escrito por Gabriel Martins,fontes no final.

“O estado de falsidade do ser humano é algo fascinante. Vem de uma necessidade de adaptação quase biológica, de comportamentos sociais arraigados, influenciados em menor ou maior quantidade pela mídia, política, “instinto de sobrevivência” ou até mesmo impulsos sexuais. Freud explica? Talvez seja da natureza da contemporaneidade a paixão pela imagem e pelo superficial; seja da perfeição da “linda vizinha” ao “amigo leal”, conceitos criados pelo Homem que nos conduzem no dia a dia e nos dizem que o importante são as relações cultivadas, por mais falsas que sejam. Para mim, Estamira, de Marcos Prado, é sobre isso. Estamira é enxergada e tratada – não só moralmente, mas fisicamente – como louca. Marcos Prado vai nos mostrar que a loucura é assim como tudo, um ponto de vista, no caso dela, um ponto de vista comum entre várias pessoas e que eu, concordando com o dele, discordo.

Estamira é uma mulher que trabalha (e trata isso com orgulho) em um lixão. É antes de tudo alguém que já sofreu diversos abusos e possui um olhar peculiar sobre a vida. Ela se irrita quando o assunto é Deus e se diz sábia, mostrando uma postura que pode ser facilmente confundida com arrogância. Não é. Estamira é um “lugar”, uma idéia, um estado de espírito onde o ser humano pode ser mais autêntico. É alheia ao mundo (o mundo dito “são”) e assim tenta estudá-lo, e por mais que o olhar fechado de fora tente trazê-la para o “real” (é preciso dar remédio a quem “sai da linha”?), o lado inconsciente continua martelando quase como um demônio trazendo de volta discursos embolados que fazem todo sentido. É a manifestação de um interior furioso nascido de um passado infeliz e sofrido, que somado a uma boa dose de “determinismo”, transforma Estamira na figura que é.

O lixão é a representação irônica e trágica da própria condição do homem. Para um olhar raso, é meramente uma imagem de contexto social de pobreza, mas para o grão do super-8 de Marcos Prado, é o lugar onde talvez se encontre a sua própria essência. A idéia de sobrevivência de Estamira nos lembra do quanto nos apegamos ao desnecessário, e como a sensação de prazer trazida por este nos tornou quase escravos do imediato. É a paixão pela imagem já dita antes, que nos torna um bando de desconhecidos buscando impressões sedutoras e fantásticas. Será preciso perdermos tudo (materialmente falando) para poder nos encontrarmos?

Estamira tem 3 filhas e um filho, todos bem criados e que guardam imenso amor por ela, apesar de alguns deles (especialmente o filho) divergir de opinião e enxergá-la com um olhar moldado por forte religiosidade, um ponto de vista claramente antagônico ao da mãe. Para ele, assim como para muitos brasileiros, a religião e a figura de Deus são conceitos intocáveis, tornando a visão “radical” de Estamira inaceitável. Fica claro que ele a enxerga como louca, apesar de o amor de filho ainda se mostrar presente. Estamira é como um desconforto, aquela pessoa que talvez o filho não quer que as pessoas vejam, principalmente nos seus acessos de raiva. Ainda assim, é interessante ver como as filhas (duas delas criadas longe de Estamira) conseguem enxergar a beleza dentro desse dragão furioso, um sentimento que pode vir a ser uma saudade ou um olhar do jovem de cabeça aberta, interessado em escutar um pouco. Estamira quer ser ouvida, algo que ela provavelmente não foi durante a vida toda. É um acúmulo de frustrações que trazem à tona pensamentos tão honestos e nervosos que para o ouvido desatento soa apenas como delírio. É outra coisa que o filme nos lembra: precisamos escutar mais. E Estamira vai repetir as suas idéias e neologismos até conseguir ser tratada com o respeito que merece, sem a definição pré-conceituosa de louca, velha e pobre. A voz de Estamira é uma resposta à negligência social que cometemos dia-a-dia: sabemos dessa crua realidade pois vemos todos os dias no jornal, mas é muito mais confortável pensar no churrasco de domingo, na promoção, no emprego e no novo celular . É o lixo que vira descuido.

Visualmente, Estamira é uma encenação real do apocalipse. É o sol que se mistura com o fogo, com o grão, com o lixo, resto e descuido. É um filme pintado pela natureza, no caso, a humana. É uma arte do descartado, e os outros trabalhadores do lixão fazem parte desse cenário ativo e invasor, que preferimos esquecer. O plano final do filme é um daqueles momentos em que a natureza conspira a favor do cinema, não só encerrando a orquestra do Fim, como ilustrando ali mesmo tudo que foi dito e que está preso na cabeça de Estamira, esta simples humana com algo a dizer.”

Fonte:http://www.cinemaemcena.com.br/estamira/blog.asp

Capitu

Publicado: dezembro 24, 2008 em Cinema

Voilá!És Arte!

A microssérie dirigida por Luiz Fernando Carvalho (O Reino da Pedra) é se não magnífica,esplêndida!
Com contraste de cenas e ambientes “plásticos” ao estilo “Tim Burton Tupiniquim” esta minissérie retrata toda a obra “Dom Casmurro” de Machado de Assis,autor atemporal que é com certeza se não o maior,uns dos maiores autores que já existiu!

Ao assistir o primeiro episódio os telespectadores logo se familiarizam com o cenário,que ao logo da obra é quase o mesmo,ao principio destaca-se a imagem “pesada” e surreal dos ambientes e dos atores, mostrando um contraste entre o “velho” e o “moderno” que contextualiza a obra de Machado de Assis como algo que foge ao seu tempo e consequentemente pode ser exposto,mesmo que em uma adaptação,à qualquer cenário temporal.
A minissérie é exibida em 5 capítulos e mostra desde o tempo de infância de Bentinho e Capitu até o percorrer da estória onde já adultos se casam.Os segmentos de textos e a estruturas chegam a ser fiel à obra literária,dando mais fascínio a todos aqueles que a leram.Destaque à trilha sonora que vai desde do Rock Pop,com a linda e lírica “Elephant Gun” da banda Beirut,até a clássica “Iron Man” do Black Sabbath.Destaque também aos atores,como Michel Melamed que interpretou o Dom Casmurro em uma atuação apaixonante,e a bela Letícia Persiles que interpretou a Capitu quando jovem.
Enfim a série se transformou em uma verdadeira obra de arte,que leva-nos a momento de sonhos e sentimentos dignos de ser apreciados!

Assista pelo YouTube Capitu:
Capítulo 1 : Parte 1 | Parte 2 | Parte 3 | Parte 4 | Parte 5
Capítulo 2 : Parte 1 | Parte 2 | Parte 3 | Parte 4 | Parte 5
Capítulo 3 : Parte 1 | Parte 2 | Parte 3 | Parte 4 |
Capítulo 4 : Parte 1 | Parte 2 | Parte 3 | Parte 4 | Parte 5
Capítulo 5 : Parte 1 | Parte 2 | Parte 3 | Parte 4 | Parte 5 | Parte 6 | Parte 7

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Sonhos de AKIRA KUROSAWA

Publicado: dezembro 2, 2008 em Cinema

No quinto conto, “Corvos”, um jovem pintor, ao observar as pinturas de Van Gogh, entra dentro dos quadros e se encontra com o pintor, que indaga por qual razão ele não está pintando se a paisagem é incrível, pois isto o motiva a pintar de forma frenética.Este pequeno trecho do filme “Sonhos”, nos faz repensar a “Arte de Ver”, como diz Rubem Alves em seu famoso texto: “A Complicada Arte de Ver” – Aqui: http://pensandozen.blogspot.com/2008/

No último conto de “SONHOS” (Akira Kurosawa), um viajante chega a uma pequena aldeia, e conversa com um velho habitante. Choca-se com o fato de a aldeia não possuir energia elétrica. “Mas a noite é tão escura”, ele observa. “Sim, a noite tem de ser assim. Por que a noite deveria ser clara como o dia? Eu não gostaria de não conseguir ver as estrelas à noite”. E prossegue: “Hoje em dia, as pessoas se esquecem de que elas são só uma parte da natureza. Destroem a natureza, da qual nossa vida depende”.

O filme trata também das tradições, e da importância de mantê-las, para a nossa própria sobrevivência e do planeta. Aborda a sabedoria dos mais velhos, e a simplicidade como forma de viver bem, em harmonia, sem destruição.

Com esse último sonho, após vermos o horror em imagens pungentes, Kurosawa nos leva de volta a um passado que também existe, ainda, em nosso inconsciente coletivo, com lições prontas a serem resgatadas hoje, e que podem evitar que os piores pesadelos de nossa civilização se tornem realidade.